Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

A ilusão da vontade consciente

Em artigo na Synthese de novembro de 2007, Peter Carruthers concorda com a tese central do livro de Daniel Wegner que apresentei na última aula (2007-10-31):

A vontade consciente é uma ilusão.

Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Liberdade positiva e negativa

Artigo revisado na Enciclopédia de Filosofia de Stanford:

Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Sobre a dúvida

Saiu meu artigo sobre a dúvida na "Primeira Meditação":

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Material em The Philosophical Quarterly de 2007-10

O seguinte artigo e resenhas da revista The Philosophical Quarterly de 2007-10 são de interesse para nossos estudos:

- Michael Jacovides, "How Is Descartes' Argument Against Skepticism Better than Putnam's?" -- Abstract: ‘If a person can think of an F, then that person has come into causal contact with an F in the right way’ is a premise in an obvious reconstruction of Putnam's argument that we are not brains in vats. ‘If a person can think of an F, then that person has come into causal contact with an F or with something at least as good as an F’ is the only controversial premise in Descartes' argument for the existence of God. Putnam's principle entails Descartes', which suggests that we should enquire after better versions of Putnam's proof. I present three variations and conclude that Putnam's semantic theory does not have anti-sceptical consequences. In contrast, given Descartes' cognitive situation, he was perfectly justified in accepting the soundness of his argument for the existence of God.

- Resenha de Self: Ancient and Modern Insights about Individuality, Life, and Death, de Richard Sorabji, por Jean-Louis Hudry.

- Resenha de The Problem of Evil, de Peter van Inwagen, por Stephen Priest.

Esses materiais são acessáveis via Portal de Periódicos da CAPES.

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Van Inwagen sobre a metafísica

A Enciclopédia de Filosofia de Stanford atualizou o artigo sobre metafísica. O autor é Peter van Inwagen.

Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Esquema sobre as bases lógico-metafísicas do cartesianismo

Esquema baseado no texto de Baker e Morris antes mencionado:
  • Teoria Lógico-Metafísica Cartesiana – Esquema. (PDF, 2007-09-04)
Este e outros materiais estão disponíveis em FiloMod, a página do curso.

Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Conceber e julgar segundo Port-Royal

A Lógica de Port-Royal define as operações intelectuais de conceber e de julgar de maneira muito próxima das caracterizações cartesianas da idéia e do juízo na "Terceira Meditação" §§ 6-9:
Se chama de conceber a simples visão que temos das coisas que se apresentam ao nosso espírito; como quando nos representamos um sol, uma terra, uma árvore, um redondo, um quadrado, o pensamento, o ser, sem formar nenhum juízo expresso. E a forma pela qual nós nos representamos essas coisas se chama de idéia.

Se chama de julgar à ação do nosso espírito pela qual, juntando conjuntamente diversas idéias, ele afirma de uma que ela é a outra, ou nega de uma que ela seja a outra; como quando tendo a idéia da terra, e a idéia do redondo, afirmo da terra que ela é redonda, ou nego que ela seja redonda. (Arnauld e Nicole, La Logique ou l'Art de Penser, p. 59)

Leitura sobre as bases lógico-metafísicas do cartesianismo

Como apresentação dos fundamentos lógico-metafísicos da teoria do juízo de Descartes, e como introdução à leitura da Lingüística Cartesiana de Chomsky e à Lógica de Port-Royal de Arnauld e Nicole, sugiro:
Os alunos da UFRGS podem acessar a versão eletrônica do livro via Ebrary (veja como na página da Biblioteca Central -- manual em PDF).

Domingo, 2 de Setembro de 2007

De Interpretatione de Aristóteles online e nas bibliotecas da UFRGS

Eis algumas edições online do tratado Da Interpretação de Aristóteles:
Nos interessam sobretudo os capítulos 1-6, 10-11 e 14.

Na BSCSH e na Biblioteca Central da UFRGS (indicada com "BC"):
  • Aristóteles, Órganon, 185 A717OR, 185 A717O, BC 1(ARISTOTELES) A717or-f
  • Aristoteles, Obras Completas (em espanhol), 185 A717O, BC 1(ARISTOTELES) A717o-E
  • Aristoteles, Peri Hermeneias, COEPPGF 185 A717W
  • Aristotle, The Organon, BC 1(ARISTOTELES) A717or-I

Textos de Marcelo de Araujo

Marcelo de Araújo disponibiliza dois textos relevantes para nosso curso no seu sítio:

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Leituras sobre a noção de pensamento de Descartes

Textos cartesianos:

- "Terceira Meditação", §§ 6-9.
- "Exposição Geométrica", definições 1-6.
- Princípios da Filosofia, parte 1, artigo 9.
- Trecho da Carta a Reneri para Pollot de abril ou maio de 1638.

Primeiros comentários:

- Spinoza, Os Princípios da Filosofia de Descartes, definições 1-4.
- Spinoza, Ética, 2ª parte, proposição 49, demonstração do corolário.
- Arnauld e Nicole, Lógica de Port-Royal, 1ª parte, disponível na Gallica.

Comentários recentes, ordenados dos mais gerais e mais introdutórios aos mais específicos e menos introdutórios:

- Steven Nadler, "The Doctrine of Ideas", no Blackwell Guide to Descartes' Meditations.
- Raul Landim Filho, Evidência e Verdade no Sistema Cartesiano, capítulos 2-4.
- Michelle Beyssade, "A Dupla Imperfeição da Idéia segundo Descartes", Analytica 2(2), 1997.
- Lia Levy, "Representação e Sujeito", em Verdade, Conhecimento e Ação, BSCSH 104 V483, 2 exemplares.
- Marcos Gleizer, "Espinosa e a Idéia-Quadro Cartesiana", Analytica 3(1), 1998.
- Ethel Menezes Rocha, "O Conceito de Realidade Objetiva na Terceira Meditação de Descartes", Analytica 2(2), 1997.

Atualizado 11h25.

Pensamento na carta a Reneri para Pollot

A carta a Reneri para Pollot de abril ou maio de 1638 (Alquié ii, 49-61; AT ii, 34-47, onde o destinatário é desconhecido), já mencionada na postagem anterior, traz uma definição de pensamento:
[...] não há nada que esteja inteiramente em nosso poder, a não ser nossos pensamentos; ao menos tomando a palavra pensamento como o faço, por todas as operações da alma, de sorte que não somente as meditações e as vontades, mas mesmo as funções de ver, de ouvir, de se determinar a um movimento ao invés de outro etc., enquanto dependem dela [da alma], são pensamentos. E não há nada que se atribua propriamente ao homem em língua de filósofo senão todas as coisas que estão compreendidas sob essa palavra: pois para as funções que pertencem apenas ao corpo, diz-se que elas se fazem no homem, e não pelo homem. (Alquié ii, 51)
Pontos que nos interessam:

- Há paralelos entre essa passagem e a "Terceira Meditação" §§6-9.

- Descartes diz que os pensamentos estão "inteiramente em nosso poder", em contraste com as "coisas exteriores" (ver Alquié ii, 52), as quais não estão inteiramente em nosso poder.

- Mesmo operações que envolvem o corpo, como o ver e o ouvir, são pensamentos na medida em que dependem da alma.

- Pensar é o que se atribui mais apropriadamente ao homem, por oposição às funções corporais.

Ação, erro e juízo na carta a Reneri para Pollot

Pollot enviou suas objeções ao Discurso do Método (1637) a Reneri, que o distribuiu na Holanda, para que esse as enviasse a Descartes (ver Alquié ii, 49, n. 2), e Descartes as responde na carta a Reneri para Pollot de abril ou maio de 1638. Nessa carta há trechos que dizem respeito à relação entre o juízo e a ação:
[...] eu disse [...] que é preciso ser resoluto em suas ações, ainda que se permaneça irresoluto em seus juízos, e não seguir menos constantemente as opiniões mais duvidosas, isto é não agir menos constantemente seguindo as opiniões que se julga duvidosas, quando já se está determinado, isto é quando se considerou que não há outras [ações] que se julga melhores ou mais certas do que se soubesse que essas fossem as melhores, como elas são sob essa condição. E não é para se temer que essa firmeza na ação nos engaje de mais em mais no erro ou no vício, pois o erro só pode estar no entendimento, o qual suponho, apesar disso, permanecer livre e considerar duvidoso o que é duvidoso. (Alquié ii, 50)
Três pontos nos interessam:

- A resolução no agir segundo o que parece o melhor (sem ser conhecido como o melhor) é compatível com a suspensão do juízo sobre se o que parece o melhor é o melhor ou não.

- Agimos segundo o melhor aparente, não segundo o melhor conhecido, e o melhor aparente é o melhor para a ação, pois essa não admite delongas.

- Ainda que se aja segundo o melhor aparente, não há erro caso se suspenda o juízo quanto ao melhor aparente ser o melhor tout court, pois o erro diz respeito aos juízos, não às ações.

Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

Homenagens a Balthazar

O portal de filosofia Idea publica homenagem ao Professor Balthazar Barbosa Filho (1942-12-09/2007-08-18). Eis os enlaces para essa e outras homenagens ao grande Professor:

Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Autômatos e livre-arbítrio

Descartes:
A extrema perfeição que se observa em certas ações dos animais nos faz suspeitar que eles não possuem livre-arbítrio. (Olímpicas, Alquié i, 63)
Talvez a observação também valha para autômatos. E então, para desopilar, eis uma tira de humor negro do Nicholas Gurewitch:

O método de Peter Smith

O método de escrita filosófica do qual falei na última aula está em:
Veja também:
E minha ficha desse último, já publicada por aqui:
Lembrem de entregar os textos produzidos até quarta ao meio-dia (produção por e-mail) ou no início da aula de quarta (produção em papel).

Sábado, 25 de Agosto de 2007

Lógica de Port-Royal na Gallica

Gallica, o sítio da Biblioteca Nacional da França, traz a reprodução (scan) de diversas edições (originais, em alguns casos) da Lógica de Port-Royal, de Antoine Arnauld e Pierre Nicole (1683):
Ver também:
Os documentos da Gallica podem ser lidos online ou descarregados em formato PDF.

Algumas teorias do juízo

A leitura de algumas teorias do juízo auxilia a precisar, por contraste ou justaposição, o campo semântico e a problemática da teoria do juízo da "Quarta Meditação". O juízo é um elemento importante em diversas obras filosóficas, dentre as quais destaco:
  • Aristóteles, Da Interpretação;
  • Arnauld e Nicole, A Arte de Pensar (Lógica de Port-Royal);
  • Kant, Crítica da Razão Pura, 2ª ed., §19;
  • Frege, "Sobre o Conceito e o Objeto".

Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

A Quarta Meditação segundo Daniel Flage

Daniel Flage, "Meditation Four", cap. 7 de Descartes and Method, disponível via Ebrary/UFRGS.

- Nas três últimas Meditações, Descartes destaca as conclusões da tese que Deus não é enganador (pp. 203-4).

- A teoria do juízo da 4M visa explicar como o (fato do) erro é possível, mostrando que não se provou demais com a tese que Deus não é enganador (p. 204).

- Para Deus ser acusado pelos erros humanos, esses precisariam ser o fruto de algo (uma faculdade) que Deus criou para produzir erros (p. 205).

- O problema da teodicéia é compatibilizar as seguintes teses:
  • Erramos (o que é ruim).
  • Deus (um ser sumamente bom e onipotente) poderia ter nos criado de tal modo que não errássemos.
  • Deus deseja o melhor (p. 205).
Das teses acima parece seguir que Deus quer que erremos, o que contraria a tese já estabelecida que Deus é sumamente bom.

- Descartes antecipa a tese leibniziana que vivemos no melhor mundo possível. Na 4M o meditador só conhece a existência da sua mente e de Deus, mas isso não o impede de considerar a possibilidade de um mundo com outros existentes (p. 206).

- A liberdade de escolha é ilimitada em Deus e nos homens, mas o intelecto humano é limitado, ao contrário do intelecto divino (pp. 206-7).

- A vontade é uma faculdade perfeita no seu gênero (p. 207). A faculdade da vontade é perfeita, o erro está no seu mau uso (p. 209).

- Há ocasião para erro quando a compreensão é incompleta, a idéia não é (suficientemente) clara e distinta (p. 207).

- O que é compreendido (clara e distintamente) inclina a vontade -- ser livre é não errar (p. 207).

- A vontade é indiferente ante uma percepção obscura (p. 208). Sempre é possível suspender o juízo ante tais percepções, evitando o erro (pp. 209-10).

- Afirmar ou negar o que se percebe obscuramente é abusar da faculdade de julgar, ainda que o juízo seja certo -- não há mérito algum em acertar por acaso (p. 208).

- Tal como Agostinho, Descartes afirma que somos mais perfeitos por poder errar do que se não pudéssemos. É a vontade que nos faz seres à imagem de Deus (p. 209).

- idéias claras e distintas são (formalmente) verdadeiras (p. 211).

- idéias materialmente verdadeiras são idéias de objetos possíveis, internamente consistentes (p. 211).

- idéias claras e distintas representam algo que tem certo estatudo ontológico (são essências), ainda que tal estatuto não indique a existência do que é representado (p. 211).

- Deus seria enganador se estivéssemos (incorrigivelmente) inclinados a julgar que p, mas não p (p. 213).

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Os temas da Quarta Meditação nos filósofos clássicos

  • Platão, As Leis 10, 901a-2b - Deus não nos deve nada.
  • Aristóteles, Categorias 10, 12a e Metafísica 4, 1004a - Distinção entre negação e privação.
  • Aristóteles, Ética a Nicômaco, 3.5, 1113b - A faculdade de julgar.
  • Epicuro - Exposição do problema clássico do mal: "Se Deus não quer suprimir o mal, é invejoso; se não pode suprimi-lo, é débil".
  • Agostinho, O Livre-Arbítrio - precursor de Descartes na solução do problema do mal via livre-arbítrio.
  • Tomás, Suma Teológica, 1a.48.3 - Distinção entre negação e privação.
  • Descartes, Olímpicas - Suspeita que os animais não têm livre-arbítrio.
  • Descartes, Princípios da Filosofia, 1, artigos 6, 23, 29-44 - esses artigos tratam do livre-arbítrio, da bondade divina, da causa do erro, da responsabilidade moral, da compatibilidade entre livre-arbítrio e onisciência divina etc.
  • Spinoza, Princípios da Filosofia de Descartes, proposições 14 (escólio) e 15 - Exposição dos temas da 4M.
  • Spinoza, Carta 21 - Distinção entre negação e privação.
  • Spinoza, Ética 1, apêndice - crença no livre-arbítrio como fruto da ignorância.
  • Leibniz, Teodicéia - o livro se ocupa do problema clássico do mal, e cria um novo nome para o mesmo.
  • Heidegger, Nietzsche 4, caps. 13-20 - A subjetividade (ao invés de Deus) e a "nova liberdade" proposta por Descartes como novo fundamento para a filosofia.
  • Sartre, Situações I - Descartes iguala a liberdade humana à liberdade divina.
  • Chomsky, Lingüística Cartesiana - A concepção de mente livre e plástica típica do cartesianismo explica a posse da linguagem.
Os resultados da historiografia cartesiana mais recente serão o contraponto a tais visões.